Resumo

O consumo total de gás natural no Brasil chegou a 54,464 milhões de m³/dia em 2025, alta de 3,8% sobre os 52,456 milhões de m³/dia de 2024, segundo o levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGÁS), divulgado em 22 de abril de 2026. No mesmo balanço, a infraestrutura de distribuição alcançou cerca de 47 mil quilômetros de redes em 516 municípios das cinco regiões do país, e o número de clientes conectados ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 5 milhões — foram 5.022.394 consumidores medidos. Os dados compilam a operação de 22 distribuidoras em 18 unidades da federação.

O que os números mostram

O crescimento do consumo foi puxado pela indústria. O segmento industrial movimentou 29,903 milhões de m³/dia em 2025, avanço de 5,3% ante os 28,386 milhões de m³/dia de 2024, respondendo por mais da metade de todo o volume distribuído. A geração elétrica ficou em 15,327 milhões de m³/dia (alta de 4,5%, com maior despacho térmico) e o segmento residencial cresceu 8,8%, chegando a 1,585 milhão de m³/dia. Nem todos os usos subiram: o automotivo recuou 11,5%, para 4,044 milhões de m³/dia, e a cogeração caiu 7,1%.

A ABEGÁS também registrou a tração do mercado livre de gás — ambiente em que o consumidor negocia a molécula diretamente com comercializadoras ou produtores. Ao fim de 2025, o país tinha 189 consumidores livres, que demandaram 30,825 milhões de m³/dia. Só na indústria, 160 clientes livres respondiam por 15,155 milhões de m³/dia. É uma mudança relevante para quem opera a rede: a molécula pode ser de outro agente, mas o transporte físico continua correndo pelos dutos da distribuidora, que segue responsável pelo cadastro e pela integridade dos ativos.

Consumo não é o mesmo que rede Vale separar duas grandezas que costumam se confundir. O consumo (m³/dia) mede o volume que passou pelo sistema; a rede (km e municípios) mede a infraestrutura física instalada. Uma pode crescer sem a outra: dá para consumir mais na mesma malha, ou expandir dutos para áreas que ainda vão amadurecer a demanda. Ler os dois números juntos é o que dá a dimensão real da distribuição.

A malha, região a região

O dado mais geográfico do balanço é a distribuição territorial da rede. Dos cerca de 47 mil quilômetros, a maior parte está concentrada no Sudeste: 36.143,26 km em 266 municípios. Em seguida vêm o Nordeste, com 5.356,92 km em 113 municípios; o Sul, com 4.246,86 km em 126 municípios; o Centro-Oeste, com 583,41 km em 3 municípios; e o Norte, com 367,94 km em 8 municípios. A concentração se repete na base de clientes: o Sudeste tem 4.295.578 dos pouco mais de 5 milhões de consumidores, seguido de Nordeste (457.594), Sul (213.168), Norte (28.748) e Centro-Oeste (27.306).

Esse desenho — muitos quilômetros e municípios no Sudeste, capilaridade ainda incipiente no interior do país — é exatamente o tipo de informação que só faz sentido sobre um cadastro georreferenciado da rede. Saber quantos quilômetros existem é diferente de saber onde cada trecho está, a que pressão opera, quando foi instalado e qual cliente ele atende. É a diferença entre um total contábil e um ativo gerenciável.

Contexto

A distribuição de gás canalizado é um serviço concedido e regulado pelos estados — cada unidade da federação tem sua agência reguladora, o que difere do setor elétrico, cuja distribuição é regulada nacionalmente pela ANEEL. Essa diferença institucional tem efeito prático no dado geográfico: enquanto as distribuidoras de energia enviam anualmente à ANEEL a BDGD (Base de Dados Geográfica da Distribuidora), o cadastro das redes de gás é organizado sob regras estaduais e padrões próprios de cada concessionária. Em ambos os casos, porém, o alicerce é o mesmo: uma representação espacial precisa de dutos, ramais, estações e medidores.

A própria ABEGÁS aponta a interiorização da infraestrutura como o desafio central da próxima etapa — levar a rede a municípios hoje sem atendimento e adensar a base de usuários onde ela já existe. Toda expansão desse tipo começa e termina em análise espacial: definir traçado, cruzar com faixas de servidão e interferências, dimensionar por demanda potencial e, depois de construída, incorporar a obra ao cadastro para que a operação e a fiscalização enxerguem o novo trecho.

Impacto para quem opera a rede

Para distribuidoras de gás — e para as de energia, que vivem o mesmo problema com outra molécula — o recado do balanço é operacional antes de ser comercial. Alguns pontos concretos:

  • Cadastro é pré-condição, não consequência. Uma malha de 47 mil km só é gerenciável se estiver georreferenciada trecho a trecho. Rede sem cadastro confiável vira risco: vazamento sem localização, obra de terceiro sobre o duto, ativo depreciando fora do controle.
  • Mercado livre eleva a exigência sobre o transporte. Com 189 consumidores livres, a distribuidora precisa distinguir, no mesmo cano, volume próprio e volume de terceiros — e isso se apoia em um modelo de rede que saiba quem está conectado onde.
  • Campo e cadastro precisam falar a mesma língua. Manutenção, inspeção de faixa e atendimento a emergências dependem de gestão de campo integrada ao mapa, para que a equipe chegue ao ponto certo com a informação certa.

É importante separar fato de expectativa. Os volumes, os quilômetros e o número de clientes são dados consolidados de 2025, apurados pela associação junto às distribuidoras. Já a projeção de crescimento futuro e a interiorização da rede são expectativas do setor, e não entregas concluídas — a notícia trata do que foi medido, não do que se pretende construir.

Próximos passos

A ABEGÁS atualiza o balanço de consumo periodicamente, e o próximo levantamento anual permitirá comparar a evolução da malha e do volume em 2026. Para as distribuidoras, o intervalo entre um balanço e outro é o tempo de trabalho: expandir rede, incorporar novos municípios e manter o cadastro em dia com a operação. Esta notícia será revisada quando a associação divulgar o próximo consolidado anual.

Nota editorial. Os números aqui reproduzidos vêm do levantamento estatístico da ABEGÁS divulgado em 22 de abril de 2026, referente ao ano de 2025, consultado diretamente no site da associação. Reproduzimos os valores como publicados, sem arredondar, e diferenciamos dados consolidados de expectativas do setor. Produzida com apoio de automação e verificada em fonte oficial, conforme a política editorial desta seção.

Fontes e referências

  1. Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil — ABEGÁS (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado). Entidade setorial de distribuidoras de gás canalizado · Brasil · português · publicado em 22 de abril de 2026 · consultado em 22 jul 2026. Sustenta: consumo total e por segmento em 2025, número de clientes, extensão da rede por região e municípios, e volume do mercado livre. abegas.org.br
  2. Estatísticas de Consumo — ABEGÁS. Seção de dados setoriais da associação · Brasil · português · consultado em 22 jul 2026. Sustenta: a natureza do levantamento estatístico compilado junto às distribuidoras associadas. abegas.org.br/estatisticas-de-consumo